Domingo, 20 de Julho de 2008
Sobre e-mail (parte 2)

Gestão de email.

 

O email é muito simples mas até as coisas simples são complicadas. E gerir o email não é coisa fácil (a não ser que não se use muito, mas aí cai fora do âmbito deste artigo). Hoje em dia a forma mais fácil de gerir o mail é usar o gmail. Porquê? 6GB é mais do que suficiente para vários anos de utilização (já disse que é ridículo enviar mp3 via mail??). Soma-se uma boa interface (desde o webmail ao IMAP), um acesso unificado. Só que claro... até eu confiar no google para gerir o meu email pessoal vai muita distância. Eu não uso o gmail (excepto para algumas coisas, mas para trabalhar, não). Então que uso? O geral: uma conta qualquer com dois interfaces (webmail lento mais IMAP) mas com um espaço limitado a 300MB, que me chega para meio ano. O meu cliente de mail é o mutt (não aconselhável para novatos, nem para meninos dos GUI). O mutt felizmente sabe imap (apesar de não ser o mais ágil com IMAP) e no meu eeepc ligo-me ao servidor e corre tudo bem. O IMAP é muito bom em termos de gestão remota de mail, mas o problema surge quando é pretendido acesso offline. Outro problema é o final do espaço no servidor remoto. E ainda por cima o eeepc: pouco espaço em disco e não queremos escrever demasiadas vezes :( Como fazer??

 

Quem tem um eeepc como eu, normalmente anda com um servidor artilhado atrás. E portanto a solução, não sendo óptima, passa por usar esse servidor para arquivar o email (obviamente de forma  automática). As ferramentas que uso são o offlineimap e o rsync. O offlineimap faz sincronismo entre o servidor de email e a minha máquina. O rsync já explico melhor mais à frente.

 

Big picture

A figura ao lado ajuda a compreender a grande cena. O servidor de email é acedido pelos clientes de mail habituais (seja webmail, seja o mutt, thunderbird, etc) e pelo offlineimap, que sincroniza (faz download do conteúdo do servidor) a conta para uma directoria no formato Maildir. O rsync, actualiza para directoria final. E porque é necessário este passo? Bom, o busilis reside no facto do espaço no servidor ser de 300MB (no lugar de infinito). Então a directoria temporaria não tem mais que esses 300MB, enquanto a directoria final tem o tamnanho que eu quiser. Este passo seria desnecessario se o offlineimap me permitisse forçar uma direcção de sincronismo, coisa que o isync faz - mas o isync não trabalha bem com árvores de directorias, coisa que para mim é essencial. Deste modo posso sempre apagar as mensagens no servidor remoto depois de ter feito a sincronização, tenho o espaço na conta e nunca perco mensagens.

 

Uma solução preguiçosa

Que complicação! Eu faço drag and drop dos mails do servidor IMAP para as pastas do thunderbird e já está.

 

Pois mas essa solução não me serve e  explico porquê:

  • Implica gravar na máquina mais acedida, que no meu caso é o eeepc. Enquanto não comprar outro cartão, estaria fora de questão.
  • Se eu não tiver nessa máquina nunca poderei ver mails antigos. Ora na minha solução basta entrar no servidor por ssh e abrir o mutt.
  • Implica que o meu cliente de email não fosse o mutt (que poderia fazer isso mas sem o Drag & Drop)
  • Implica um formato não standard, ainda que aberto, para gravação dos emails:o do thunderbird; no caso do Mutt (ou do claws - gráfico) é menos mau porque seria em Maildir. Ao ser um formato standard, posso sempre montar um serviço por cima, se for necessário (por exemplo serviços de indexação).
  • Tenho que me preocupar sobre o que já foi sincronizado (coisa que o offlineimap faz melhor que eu)
  • Tenho que fazer Drag & Drop, que implica que, a menos que utilize outra ferramenta, não é automatizável.

 

E em relação a emails fico-me por aqui... por enquanto :)

 

 

 

 



publicado por madskaddie às 13:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sobre e-mail (parte 1)

E-mail, ferramenta que todos usam e que ninguém sabe usar. Bom, não é bem assim: nem todos usam mas muita gente não sabe usar, pelo menos sob a minha óptica. Vou falar sobre sobre boas práticas de uso de email e como dei volta a algumas situações derivadas do uso do eeepc.

Boas prácticas.

Aviso!

Antes de continuar, um aviso. É verdade que não conheço nenhum guia ou recomendação de como usar o e-mail. No entanto considero-me um utilizador experiente com uso útil mediano (~1000 mensagens úteis por mês, i.e., sem contar com spam, nem com mailling lists que não leio). Soma-se que sou administrador de um servidor de email e admin das contas do pessoal cá de casa. Ou seja, tenho alguma  experiência real no assunto. Não sou nenhum executivo que precise dum calendário integrado no email nem coisas do género, por isso, podem haver afirmações minhas que caiam fora da realidade de muitos cenários.

 

 

  • Basta pum basta! Uma geração que consente deixar-se representar por um Powerpoint é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!. O texto anterior, com óbvia excepção da palavra a negrito, é do poeta Negreiros. Se bem que não sou uma grande vítima destes ataques, chega de emails inúteis com apresentações cheias de fotografias. Para isso pode-se sempre usar um site tipo Flickr, onde se pode depositar todas as fotos e ainda conversar/comentar sobre elas. É mesmo preciso as animações?? Usar o googledocs (há outros sites muito bem apetrechados para as apresentações). O email não é para isso. E já agora, de forma mais pedagógica, esses ficheiros podem conter imagens que usam vulnaberabilidades do Windows para correr código malicioso. Nunca abrir um ficheiro quando precisa de correr uma macro. É um potencial virus. Não ser arrogante e dizer "eu tenho Mac OS ou Linux". Pessoalmente só uso linux há já vários anos.
  • Depois do conselho óbvio anterior: não use nenhum tipo de formatação especial no email. Não se pode partir do pressuposto que a pessoa que vai ler do outro lado da linha, veja a forma do email do mesmo modo que voçê a vê. Nem mesmo texto simples garante o que quer que seja para alem da direcção de escrita cima-baixo, esquerda-direita (e até essa pode ser alterada). Usar um tipo de formatação, mesmo html, é como ser egocêntrico. E se é verdade que há alguns programas muito utilizados (outlook, outlook express, thunderbird,etc), está longe de garantir o que quer que seja. E claro, depois há sempre código malicioso que se pode aproveitar disso (imagine que se pode embeber um código java). Os browers estão cada vez mais preparados para essas ameaças, mas há tantos clientes de mail, que seria estúpido ou arrogante admitir o que quer que seja. Pessoalmente quando preciso de sublinhar qualquer coisa faço-o _assim_; *negrito*;  /itálico/. E listas? *item 1; *item2; *item3. E imagens? Anexo. E se se tiver que ir tudo junto? ver abaixo.
  • Se for preciso enviar texto formatado, utilizar os anexos! Um pdf anexado é geralmente a melhor solução. Raramente é preciso enviar texto formatado que não seja um documento independente, que faz sentido ir em anexo.
  • Ao enviar um email para várias pessoas que não pertençam a um grupo de pessoas conhecidas, USAR o campo BCC para os destinatários. Ao usar este campo só o email do destinatário é mostrado ao destinatário e portanto, não há probabilidade de que, caso haja um computador infectado num dos destinatários, o parasita se envie para todos os outros destinatários.
  • Ao responder a um mail, retirar todos os ">" que estiverem a mais. Basta de ">>>>>>>>>>>> vinte mil setinhas irritantes"; Retirar sempre os anuncios de rodapé e todas as referências que estejam no texto re-enviado e que sejam inúteis. Porquê? Os parasitas usam essa informação para propagar SPAM. Para além disso, os emails com muitos ">" tornam-se ilegiveis. É verdade que há clientes que tratam muito bem do problema, mas não podemos ser arrogantes e esperar que o destinatário não tenha problemas.

 



publicado por madskaddie às 10:15
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008
Aplicações utilizadas

Todos os dias

  • Browser: Firefox 3
  • Terminal:urxvt
  • Mail: mutt
  • messaging: pidgin / Xchat
  • Musica e video: mplayer / mpd
  • Info: gkrellm
  • Edição de texto: vim
  • Notas: xpad
  • Processador de texto: latex
  • Gestor de ficheiros: PCman FM
  • Leitor de pdf: xpdf

Recorrente

  • OpenOffice
  • Gimp


publicado por madskaddie às 00:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 27 de Maio de 2008
Já devia este post...

Recebi o meu Asus Eee PC (segundo o que tenho visto, diz-se "ipici") faz amanhã uma semana, e ainda não tinha expresso (quase) nada sobre a minha experiência... Só um aviso: não peçam para eu reportar experiências pessoais com Windows na máquina porque, a menos de algo muito excepcional, a máquina não vai ver Windows.

O processo de aquisição

A compra foi realizada na rede. O nó, passo a publicidade, foi a superetrader.co.uk . A compra foi pacífica, o método de pagamento foi visa (via paypal) e a encomenda chegou no prazo previsto (1 semana). Na altura escolhi a loja porque têm os stocks actualizados em tempo real e como havia dos 900 (o modelo que pretendia)... fiz a compra no dia.

 

Desembalar e experimentar

 Na caixa vinha a tralha do costume mais uma bolsa. Infelizmente a bolsa da versão 900 já não é a de neoprene, mas sim de um tecido aveludado.

Nem esperei pela bateria carregar, meti a ficha eléctrica e toca a bootar o bicho... já está! Em menos de nada já tinha iniciado e estava perante a tão falada interface gráfica. Sobre esta tenho a dizer que é muito interessante e que o conceito deve ser explorado pois num ambiente tão pequeno este tipo de interface tem muito sentido. Faltam é opções de personalização por defeito. Algures na net reparei que já havia uns scripts que personalizavam a coisa.

 

Adeus Xandros....

A máquina trás wifi, elemento essencial no meu dia a dia. Consegui configurar de modo muito simples a minha ligação WPA-PSK caseira. Mas reparei que não tinha opção para WPA-EAP. Tentei manualmente (para termos um terminal, Ctrl-Alt-T), e reparei que o wpa_supplicant vinha sem suporte para as minhas necessidades. Isto e as várias referências na net a que era preciso adicionar os repositórios do Debian para o sistema ficar decente, levaram-me a concluir que mais dia menos dia... o Xandros deixaria de estar funcional.

 

Linux, sim... mas que distro?

Este é dos maiores dilemas de quem entra no mundo do pinguim. Mas eu já entrei há vários anos e sei que a que mais gosto é o Debian. Mas, eu sei como o Debian Testing é (centenas de megas de updates todas as semanas) e como isto trás exclusivamente memória flash, é melhor pensar em alternativas. Um factor de eliminção são os pacotes rpm: não gosto! A experência é do passado e agora até podem estar melhor mas nem me vou preocupar com isso. Ainda pensei em Slackware, Arch ou Zen... mas como domino Debian, que venha Ubuntu... mas sem nada.

 

Instalação.

A minha ideia inicial passava por:

  • Dual Boot com o Xandros. Manter o Xandros era essencial pois permitiria ter um arranque rápido sempre que fosse necessário.
  • Carregar o instalador a partir de uma pen ou via rede
  • Experimentar o sistema instalado na pen
  • Experimentar o sistema no disco de 16GB

Com estas ideias, formatei uma pen de 1GB com 50MB+950MB. Na primeira parte coloquei o instalador, e a segunda era para o sistema. Entretanto deparei-me com a situação que a comunidade Debian vai muito avançada (instalador preparado para o EeePC, tudo bonito, etc) e pensei vou por isto na pen... e assim foi. Com um pequeno contratempo lá instalei um sistema operativo na pen. O boot ficou muito lento mas serviu como "proof of concept".

 

Então decidi redimensionar a única partição do disco de 16GB, criar outra e instalar o Ubuntu. Meti a imagem do netinstall do Ubuntu na pen e vamos lá tentar. Aqui tive um problema é que aparentemente o driver de rede do Ubuntu estava a funcionar mal... mas não: o socket da ficha RJ45 é muito apertado e é preciso alguma força. Depois da instalação, é que perdi o módulo de rede... como o kernel é diferente do netinstall não deu para aproveitar. No entanto e com um pouco de magia lá apanhei um módulo pré compilado na rede... que deu :) E consegui.

 

Agora e com a ajuda preciosa dos vários guias tenho um kernel personalizado para o Eee 900 e já quase tudo está instalado... um mimo.

 

 

Depois desta maravilhosa viagem cheia de peripécias pelo mundo do linux, deixo só aqui algumas notas:

  • Uma pessoa pode pensar: este portátil vem pensado para ser usado em linux e ainda dá dores de cabeça! Deu-me a mim porque sei que consigo fazer... amanhã, quando  isto não for ultra novidade, tudo vai funcionar à primeira... sem espiga.
  • A Asus está no caminho certo mas ainda faltam muitos Km... ainda está muito orientada segundo o paradigma do produtor-consumidor, no lugar de utilizar a comunidade como plataforma de colaboração.
  • O bicho é lindo e já consigo teclar sem me enganar muito. E melhor já tenho dois mapas de teclados na cabeça: o inglês e o português.
  • Espero não arranjar problemas oftálmicos, apesar de ter fontes bem grandes.

Com isto acabo este post introdutor... espero ter tempo e vontadade de reportar mais peripécias. E posts com mais detalhes técnicos e howtos ;)

 


sinto-me: Cansado mas bem
música: http://radiozero.pt
tags: ,

publicado por madskaddie às 23:55
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

.subscrever feeds
.pesquisar neste blog
 
.Julho 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


.posts recentes

. Sobre e-mail (parte 2)

. Sobre e-mail (parte 1)

. Aplicações utilizadas

. Já devia este post...

.arquivos

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

.tags

. todas as tags

.links
blogs SAPO
.subscrever feeds